Síndrome Metabólica

Síndrome Metabólica

A síndrome metabólica é um assunto que vem preocupando bastante os profissionais da saúde, já que é diagnosticada quando o indivíduo apresenta pelo menos três dos seguintes critérios:

Circunferência da cintura >102 cm em homens e > 88 cm em mulheres;

Triglicerídeos séricos (TG) > 150 mg/dL;

HDL- colesterol <  40mg/dL em homens e <  50mg/dL em mulheres;

Pressão arterial > 130/85 mmHg;

Glicose sérica > 110mg/dL;

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os fatores de risco mais importantes para morbimortalidade relacionada às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são: hipertensão arterial sistêmica, hipercolesterolemia (colesterol elevado), ingestão insuficiente de frutas, hortaliças e leguminosas, sobrepeso ou obesidade, inatividade física e tabagismo. Cinco desses fatores de risco à alimentação e à atividade física e três deles têm grande impacto no aparecimento da síndrome metabólica (SM).

A predisposição genética, a alimentação inadequada e a falta de atividade física (sedentarismo) estão entre os principais fatores que contribuem para o surgimento da SM, cuja prevenção primária é um desafio mundial, com importante repercussão para a Saúde. O aumento da prevalência da obesidade está presente em todo o Brasil e uma tendência especialmente preocupante em crianças e adolescentes. A adoção precoce por toda a população  de estilos de vida relacionados à manutenção da saúde, como dieta adequada e prática regular de atividade física, de preferência desde a infância, é componente básico da prevenção da SM.

A orientação nutricional visa principalmente à melhora da sensibilidade à insulina e prevenção ou correção das anormalidades metabólicas e cardiovasculares. A redução de 5 a 10% do peso inicial promove o controle de todos os fatores de risco enumerados acima.

Preferir:

– peito de frango sem pele, carne bovina magra (coxão duro e patinho), peixes, leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico, soja), leite e derivados desnatados (cottage, ricota, queijo minas frescal).

– associar os carboidratos com fibras solúveis: inhame, cará, mandioca, arroz parboilizado, biscoitos integrais, aveia em flocos, milho, farinhas integrais.

– acrescentar nas refeições diárias 2 colheres de sopa de farelo de aveia.

– dar preferência às gorduras monoinsaturadas, que aumentam o HDL (colesterol “bom”) e reduzem resposta inflamatória. Fontes: azeita de oliva, óleo de canola, abacate, oleaginosas (castanha-de-caju, castanha-do-pará, amêndoas); e poli-insaturados ômega-3 que reduzem triglicerídeos, pressão arterial e aumentam a sensibilidade à insulina (semente de linhaça, cavala, salmão, atum, truta e sardinha).

– margarinas com até 40% de lipídios e sem sal.

– usar os temperos naturais como substituto do cloreto de sódio. Limão, alho, pimenta, gengibre, curry, hortelã, salsa, cebolinha, alecrim, orégano, manjericão, sálvia, tomilho, louro.

– alimentos ricos em antioxidantes como: Vit A (cenoura, abóbora, couve, espinafre, rúcula), Vit C (laranja, mamão, goiaba, acerola, kiwi), Vit E (semente de girassol, abacate, oleaginosa).

– alimentos ricos em Cálcio (sua deficiência eleva a pressão arterial): leite desnatado, cottage, amêndoas, brócolis.

– alimentos ricos em potássio (são natriuréticos – defesa contra retenção de água e sódio): banana nanica, abacate, espinafre, laranja, mamão.

– alimentos ricos em magnésio (vasodilatador e melhora a sensibilidade à insulina): hortelã, couve, pão integral, broto de trigo.

– alimentos ricos em ácido fólico (sua deficiência é comum em obesos e relaciona-se com aumento da homocisteína, aminoácido produzido após a digestão de carnes ou laticínios e em excesso no sangue provoca aumento do risco de coágulos e entupimentos das artérias); fontes: espinafre, aveia, feijão, abóbora.

– alimentos ricos em zinco (melhora a sensibilidade à insulina): peixe, ervilha, agrião, pasta de gergelim, semente de abóbora.

– alimentos ricos em cromo (melhora a sensibilidade à insulina): brócolis, cogumelos, nozes e cereais integrais.

EVITAR:

– carnes gordas (costela, leitão, carré, coxa e asa de frango, picanha e cupim).

– frituras.

– leite de coco, manteiga, leite e derivados integrais (provolone, gorgonzola, roquefort, camembert, parmesão, gouda, suíço, brie e gruyére) Aumenta a resistência periférica à insulina porque contém ácido mirístico.

– margarina com 80% de lipídios, gordura vegetal hidrogenada, massa folhada, empadão, sorvetes cremosos, biscoitos amanteigados, pães recheados com cremes. Aumentam o colesterol, diminuem HDL (colesterol “bom”) e aumentam a resistência periférica à insulina.

– arroz polido, pão de forma branco, biscoitos elaborados com gordura vegetal hidrogenada.

– açúcar de adição refinado, cristal ou orgânico; melado, xarope de glicose, mel.

– refrigerantes em geral, dando maior destaque aos à base de cola e guaraná (colaboram na hiperglicemia e aumento dos triglicerídeos (TG) pelo excesso de açúcar e elevam a pressão pelo conteúdo em cafeína).

– guaraná natural, chá mate, chá preto (estimulantes).

– excesso de alimentos dietéticos ricos em ciclamato e sacarina sódica (elevam a pressão arterial).

– bebidas alcoólicas (principalmente para indivíduos com hipertrigliceridemia (TG elevado)).

– temperos industrializados em pó ou cubos (mesmo os que indicam 0% de gordura, pois são ricos em sódio).

– cloreto de sódio com consumo máximo de até 6g/dia com controles de embutidos (linguiça e salsicha), conservas, enlatados, defumados e salgados (carne-seca, toucinho), frios (salame, mortadela e presunto).

Fonte: Livro Manual de Nutrição Clínica